A performance das Pussy Riot no Kino Šiška, em Ljubljana, integrada no programa Riot Days, revisitou a história do coletivo russo enquanto movimento artístico e político de resistência ao autoritarismo, à censura e à aliança entre o poder político e a Igreja Ortodoxa Russa. A narrativa partiu da célebre intervenção de 2012 na Catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, onde várias integrantes do grupo realizaram uma oração punk contra Vladimir Putin e o apoio da Igreja ao seu regime. O protesto transformou-se num acontecimento internacional quando três das participantes, entre elas Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina, foram presas e condenadas por vandalismo motivado por ódio religioso. A partir desse episódio, as Pussy Riot tornaram-se um símbolo de resistência feminista e de contestação política, expondo o preço da dissidência num país onde a liberdade de expressão é cada vez mais reprimida.
Em Riot Days, a história foi contada através de uma combinação de palavra falada, música eletrónica, punk e projeções de vídeo, cruzando o concerto, o teatro e o manifesto político. Inspirada no livro autobiográfico de Maria Alyokhina, a performance percorreu também o julgamento, a prisão e os dois anos que a artista passou numa colónia penal russa, transformando a experiência pessoal da repressão num testemunho coletivo. A narrativa estendeu-se até à atualidade, abordando a agressão russa contra a Ucrânia e mostrando como a violência do Estado continua a alimentar a revolta artística do grupo. Mais do que reconstituir os acontecimentos que fizeram das Pussy Riot um fenómeno internacional, Riot Days reafirmou a dimensão política da sua arte: um gesto de denúncia que recusa o silêncio e insiste na possibilidade de resistência, mesmo perante a perseguição e a censura.